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  • Prêmio Book Brasil

Entrevista com T.L. Krauspenhar: Vencedor na categoria "Capa do Ano".



Thiago Luz Krauspenhar, vencedor na categoria "Capa do ano 2020" no II Prêmio Book Brasil, é gaúcho, 36 anos, nasceu em Santa Cruz do Sul em 1984. Passou a maior parte da vida em Porto Alegre, onde se formou em Engenharia de Materiais pela UFRGS e concluiu o mestrado. Apaixonado pela leitura desde criança, descobriu o amor pela escrita mais tarde, em 2017, quando desengavetou os rascunhos de suas histórias escritas na adolescência e resolveu escrever seu primeiro livro, um romance de fantasia histórica sombria intitulado “A Última Cor”. Atuou como mediador de um clube de leitura por quase 3 anos. Atualmente vive em Macaé-RJ, onde trabalha como engenheiro na Petrobras. Mora com sua noiva Caroline e tem uma filha, Luísa, de 7 anos. Poliglota, fala 5 línguas. Tem como hobbies ler, escrever, assistir séries e filmes, viajar e aprender idiomas.



Você foi uma criança apaixonada por leitura. O que foi mais propulsor nessa construção?

Krauspenhar: Na infância, eu era uma criança muito agitada e bagunceira, e minha mãe disse que eu só me acalmei após aprender a ler, quando então passei a devorar as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica e outros livros infantis, sempre incentivado pelos meus pais. Já na adolescência, o que impulsionou ainda mais a minha paixão pela leitura foram os romances policiais da Agatha Christie.

Como foi a transição entre a ideia até chegar a publicação? O que foi mais desafiador?

Krauspenhar: Da primeira ideia do livro “A Última Cor” no ano de 2000 até a sua publicação em 2020 passaram-se 20 anos. A ideia principal me surgiu na adolescência, na cidade de Cruz Alta-RS, quando eu era fascinado pelos livros da rainha do crime Agatha Christie e, inspirado na autora, pensava em escrever o meu próprio romance policial, com cada uma das vítimas sendo assassinadas baseada numa das sete cores do arco-íris por um assassino em série que só seria revelado no final por um astuto detetive. Um resumo dessa ideia inicial ainda está registrado num caderno de anotações que eu mantinha na época. Mas na adolescência, os desafios de estudar e passar para engenharia numa universidade federal consumiram bastante do meu tempo e acabei deixando de lado a escrita para me dedicar aos estudos, mas sempre mantendo o hábito da leitura, chegando a ler, naquela época, cerca de 30 livros por ano. E só então, muito mais tarde, aos 33 anos, no final de 2017, quando eu já trabalhava como engenheiro de materiais na indústria do petróleo em Macaé-RJ, que eu tive o desejo de retomar com meus projetos de escrita e desengavetei os meus rascunhos de histórias escritas na adolescência e resolvi escrever meu primeiro livro. A escrita do livro durou mais de dois anos, passando por seis versões, duas leituras críticas profissionais, alguns leitores beta, dezenas de revisões, além de muita pesquisa histórica e uma rotina quase diária de escrita. O que foi mais desafiador para chegar na publicação foi planejar tudo de forma independente, sem nenhuma editora para auxiliar. Contratei por contra própria os serviços de leitura crítica de profissionais da área, contratei uma ilustradora para a capa, fui atrás de registro do livro, ficha catalográfica, publicação de e-book na Amazon e de livro impresso pelo Clube de Autores.

Por que Romance? Escreve em outros gêneros ou formas literárias?


Krauspenhar: Romance policiais foram um dos motivos que me impulsionaram a gostar de ler e escrever, o que me permitiu passar para os romances clássicos e me apaixonar cada vez mais pelo gênero do romance. Na adolescência eu escrevia poesia também, mas sem a intenção de publicar. A história do meu livro “A “Última Cor”, que inicialmente era para ser um romance policial, acabou virando uma fantasia sombria, o que acabou se revelando como sendo o meu gênero literário favorito.


Você foi o vencedor na categoria "Melhor Capa 2020" e ficou em segundo lugar em "Romance de Entretenimento" no II Prêmio Book Brasil. Como se sente e o que atribui ter garantido a eleição do júri técnico e votação popular?

Krauspenhar: Sinto-me muito feliz e realizado pelo fato do meu livro de estreia ter conquistado o 2º lugar na categoria “Romance de Entretenimento”; comemorei como se tivesse ficado em primeiro lugar. Atribuo ter sido escolhido como finalista pelo júri técnico pelo fato de eu ter criado uma história bastante original e, ainda por cima, num cenário brasileiro, focando bastante nos detalhes do Brasil colônia através de uma minuciosa pesquisa histórica sobre os costumes daquela época, acrescentando um toque de fantasia; tudo isso como pano de fundo para uma bela história de vingança. Já para o prêmio de melhor capa, realmente o voto popular foi muito importante, pois era uma categoria fácil de ser avaliada pelo público. Além disso, incentivei bastante a votação entre amigos, familiares e seguidores do meu Instagram literário, o que contribuiu bastante no número de votos. Apesar de eu ter idealizado e formatado sozinho o design da capa, o mérito da ilustração é da talentosa ilustradora Mireli Oliveira, que conseguiu ilustrar de forma belíssima a personagem Bluma, com destaque para a técnica de aquarela que ela usou para destacar as cores, já que o tema do livro era inspirado nas sete cores do arco-íris.

Quais os maiores desafios enfrentados como escritor brasileiro? E como tenta superá-los?

Krauspenhar: Os maiores desafios como escritor brasileiro são a falta de incentivo à leitura e o preconceito contra os livros de autores nacionais independentes. Atualmente, para conseguir a atenção de uma editora, o autor precisa investir bastante tempo no marketing pessoal e criar um público significativo nas redes sociais, o que pessoalmente acho um grande desafio. Participar e ganhar um concurso literário, como o Prêmio Book Brasil, é um dos meios para superar esses desafios, já que destaca a qualidade técnica e o apelo da obra com o público.


"A Última Cor" foi inspirada por algum acontecimento específico?

Krauspenhar: Não foi inspirada em nenhum acontecimento específico, mas sempre me interessei por histórias de assassinatos misteriosos que seguem alguma espécie de padrão ou ritual. Então pode-se dizer que meu livro foi inspirado em obras como: o filme “Seven – Os Sete Crimes Capitais” (uma morte para cada um dos 7 pecados); o livro “Anjos e Demônios”, de Dan Brown (4 cardeais sequestrados e executados de acordo com cada um dos 4 elementos: terra, ar, fogo e água); o livro “E não sobrou nenhum”, de Agatha Christie (10 convidados eliminados um por um numa ilha deserta) ou o aclamado livro “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco (morte de 7 monges em 7 dias em circunstâncias insólitas).


Quais os planos para 2021 na literatura?

Krauspenhar: Para 2021, pretendo terminar de escrever a primeira versão do meu segundo livro, que também será uma história de fantasia sombria num cenário brasileiro.


Que recado você deixa sobre a importância da leitura em nossa sociedade?


Krauspenhar: Considero a leitura extremamente importante para estimular a criatividade e a imaginação, exercitar a memória, auxiliar na construção de diversos conhecimentos e para aprimorar o vocabulário e a escrita.



Contato com o autor: https://linktr.ee/t.l.krauspenhar

https://www.instagram.com/t.l.krauspenhar/



Por Marcos de Sá



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