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  • Prêmio Book Brasil

Entrevista com Raphael Alberti: Vencedor na categoria "E-book Crônica".



Raphael Alberti, vencedor na categoria "E-book Crônica" no II Prêmio Book Brasil, é mestre em História, Política e Bens Culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentação em História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV-RJ). Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor de História do Ensino Fundamental II da Escola em Tempo Integral Rubem de Lima Barros, em Caruaru-PE e do Colégio Inovar, em Toritama-PE. Lecionou em escolas públicas no Rio de Janeiro e São Paulo também. Escritor do livro "Um espião silenciado" (Cepe Editora, 2020) e "Poesias de quem não se acha poeta" (VirtualBooks, 2013).


Em que momento aconteceu a transição da ideia para a publicação? O que mais te motivou?


Raphael: Desde 2010, quando descobri a história da morte desse espião da Marinha, percebi que era um acontecimento relevante para a história do nosso país e que merecia ser publicado no formato de um livro. O que mais me motivou foi a sede de justiça. A vontade de reparação de um erro de mais de meio século e que poderia propiciar novos estudos sobre o período pré-1964.

Você foi uma criança leitora? Houve incentivo ou ingressou por conta própria? Raphael: Sim. Tive um suporte muito intenso da minha mãe que comprava gibis, livros do Pedro Bandeira, Atlas (pois adorava ver o mápa-mundi, decorar o nome dos países e capitais) e na própria escola havia uma disciplina de contação de histórias que me fascinava. Sempre com história de detetive, policiais e ficcionais de mistério. Amava!

Na escrita, você se define como um escritor de crônicas ou pretende abranger outras formas literárias? Raphael: Pretendo continuar com publicações historiográficas a respeito de acontecimentos inéditos que ajudem a preencher lacunas da História do Brasil, mas estou sempre aberto a outras áreas. Tenho um apreço forte por poesias, inclusive com a organização de uma coletânea exclusiva para poetas amadores que tinham vergonha de mostrar seus escritos.



Você foi vencedor na categoria "E-book Crônicas 2020" no II Prêmio Book Brasil. Como enxerga a aceitação de e-books no mercado literário e como se sente ao ser elegido pelo júri técnico e votação popular? Raphael: Enxergo como algo positivo, visto que abrange as possibilidades de leitura da obra em locais que jamais imaginei que me livro pudesse chegar. Fazendo uma pesquisa recente no Google, descobri que meu e-book está sendo vendido em sites na Espanha, Índia, México e Holanda. Fiquei muito feliz com o resultado, já que foi o primeiro prêmio que participei. Receber esse reconhecimento da crítica e do júri é algo que a família do espião morto merece.

Quais os maiores desafios enfrentados como escritor brasileiro? E como tenta superá-los? Raphael: A falta de financiamento para pesquisadores na pós-graduação, o descaso com os arquivos públicos no Brasil e o autoritarismo de órgãos militares e policiais que dificultam a publicidade de documentos que já expiraram seus prazos de sigilo. A forma de superar tudo isso não é individual. Somente a pressão social em prol da divulgação desses documentos e de políticas públicas de financiamento de pesquisas.

O que te motivou a escrever "Um espião silenciado"? Houve algum acontecimento específico?

Raphael: A possibilidade de acabar com um silenciamento de 58 anos sobre a morte de um espião e jornalista que foi peça-chave para o desvelamento de casos de corrupção eleitoral e exposição de milícias que já atentavam contra a democracia brasileira nos anos 50 e 60. Por se tratar de uma história real e inédita, a motivação em transformar essa história em livro aumentou vertiginosamente.

Na sua opinião, que políticas públicas faltam para que todas as pessoas tenham acesso ao mundo da leitura de qualidade? Raphael: Investimentos públicas em bibliotecas municipais. A obrigatoriedade do funcionamento de uma biblioteca em cada escola da cidade e a fiscalização para que os funcionários da biblioteca não sejam deslocados para outras funções pelxs diretorxs da escola. Acredito que programas de TV aberta que abordem a literatura brasileira, motivariam ainda mais nossa juventude a ler livros.

Que recado você deixa sobre a importância da leitura em nossa sociedade? Raphael: Quanto mais livros você lê, menos manipulável você se torna e mais interessante fica aos olhos da sociedade!


Contato com o autor: https://www.instagram.com/rapha_alberti/


Por Marcos de Sá

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